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Como tomar a decisão certa?

No artigo anterior, O que mais atrapalha a tomada de decisão? [1], vimos três tendências de comportamento que atrapalham a tomada de decisão. Essa lista vai longe! Hoje, vamos discutir mais três pontos que podem ajudá-lo a tomar a decisão mais certeira quando você tem dúvida ou se sente confuso.

1. Supervalorização de um único aspecto – positivo ou negativo

Essa é uma tendência muito comum que leva as pessoas frequentemente a se tornarem cegas para as outras faces da decisão a ser tomada. Ela só enxerga um único ponto que para ela é muito importante ou chamativo e ignora todo o resto.

Aqui nos EUA estamos em época de pré-eleição em que diversos candidatos dos dois partidos dominantes competem pela indicação do seu partido como representante oficial a concorrer à presidência do país. Donald Trump, como muitos sabem, é o candidato que está liderando as pesquisas de opinião. Muitos eleitores alegam que votarão em Trump porque ele é “engraçado” ou “autêntico” e fala o que quer. Muitas dessas pessoas estão se focando em apenas uma característica deste candidato, sem notar e refletir sobre possíveis aspectos negativos ou mesmo outros aspectos positivos não tão evidentes. Esse é um exemplo de supervalorização de apenas um único aspecto. Da mesma forma, muitas pessoas dizem que jamais votariam em Trump porque ele é “estúpido” ou “ignorante”. Novamente, tomando uma decisão (em quem votar) baseando-se em apenas um único ponto sem olhar para todo o conjunto de características de todos os candidatos.

Esses dias conversei com uma mulher que estava muito insatisfeita com seu carro novo. Ela havia sofrido um acidente ao dar a ré e bater em um carro que ela não viu. O trauma dessa experiência fez com que ela se focasse apenas em uma única característica ao procurar um carro novo: ela queria uma câmera de ré para evitar cometer o mesmo erro. O problema é que ao se focar apenas na câmera de ré, ela não prestou atenção nas outras características dos carros que avaliou e acabou comprando um carro que apesar de ter o que ela procurava, não era exatamente o que ela queria em diversos outros aspectos. Ela também poderia ter comprado um carro com diversas características desejáveis, sem a tal câmera de ré e posteriormente instalado uma. Hoje ela está arrependida e incapaz de sair de contrato de leasing que não pode ser quebrado sem uma multa.

Por mais que você queira muito uma coisinha específica ou queira evitar outra, evite supervalorizar essa característica como se fosse o único aspecto importante em uma decisão (a ser obtido ou evitado) – nunca é. Olhe todo o conjunto, avalie os detalhes antes de bater o martelo.

2. Maria vai com as outras

Outra tendência de comportamento muito comum é se basear no que deu certo para os outros ou nas decisões que os outros estão tomando. “Deu certo para o meu amigo, por isso eu vou tentar também” ou “não deu certo para o Fulano, por isso eu não vou tentar”. A experiência dos outros NUNCA deve servir de base para suas próprias decisões. Muita gente não se considera Maria vai com as outras, mas faz exatamente isso: se um remédio funcionou para um conhecido, ela vai e toma o mesmo medicamento; se o Ciclano comprou uma impressora da marca X e disse que é uma porcaria, ela nunca compra uma impressora da mesma marca.

Esse efeito é bem “humano” e vastamente explorado no mundo do marketing para manipular consumidores incautos que vão atrás do que “a maioria” está fazendo, pois a lógica deve ser de que se “todo mundo” está fazendo uma coisa, então deve ser a coisa certa, não?! Se fosse assim nós viveríamos em um mundo de gente bem sucedida, rica, saudável e feliz! Mas não é o caso, então a lógica real é que o que todo mundo está fazendo é justamente o que você não deve fazer!

Evite também ir atrás de recomendações de amigos e conhecidos, seja para o lado positivo, “esse remédio natural é muito bom para dor nas costas” quanto para o lado negativo “nunca compre um carro da Ford”. A experiência de cada pessoa com produtos, empresas e tudo o mais na vida é personalíssima. Você pode acabar tendo resultados completamente diferentes.

3. Informações mais recentes não são necessariamente melhores ou mais atualizadas

Uma armadilha que muita gente cai é dar pouca credibilidade para informações mais antigas e supervalorizar as mais novas. Eu não gosto de colocar data em meus artigos justamente para evitar esse efeito. Meus artigos tratam de assuntos que “não expiram”, mas ao publicar a data muitos leitores recém chegados ao site podem erroneamente acreditar que artigos escritos há 2, 3, 10 anos estão “desatualizados”. Esse é um efeito verificado frequentemente por pesquisadores que estudam o comportamento de internautas. Informações recém publicadas são mais valorizadas do que artigos e outras mídias postadas anteriormente.

Se você está avaliando dados para tomar uma decisão que não envolve um assunto que é frequentemente atualizado como tecnologia, evite discriminar informações mais antigas. Muito do que estudamos em desenvolvimento pessoal foi concebido por Aristóteles, há mais de 2000 anos. Usamos muitas ideias também de outros filósofos gregos como Platão e Sócrates, Romanos como Sêneca e os mais recentes como Nietzsche e Kant. O livro mais popular de autoajuda da história é Pense e Enriqueça [2] de Napoleon Hill, publicado em 1937. Ou seja, o que era útil para ajudá-lo a tomar melhores decisões, melhorar a autoestima ou se tornar mais autoconfiante na época de Jesus Cristo ainda é válido no século XXI. Assim como essa área de desenvolvimento pessoal, muitos outros assuntos se baseiam na natureza humana como os princípios de negócios e marketing, por exemplo.

É claro que decisões que envolvem compras de bens, mudança de local ou qualquer assunto que seja vulnerável à evolução natural, seja tecnológica ou ambiental, precisam ser baseadas em informações atualizadas, mas é válido se questionar se esse é sempre o caso em todas as decisões que você precisa tomar. Muita coisa antiga pode acabar sendo muito mais útil para ajudá-lo a compreender melhor um assunto e tomar uma decisão mais segura.

No próximo artigo [3], vamos avaliar ainda mais três tendências que costumam influenciar negativamente nosso comportamento ao tomarmos decisões.